A biocompatibilidade do parafuso utilizado nos implantes dentários é essencial para garantir que o tratamento não é rejeitado pelo organismo. Atualmente, o material utilizado é o titânio, que é 100% compatível com o ser humano, mas esta propriedade foi descoberta por acaso, durante uma investigação com coelhos. Conheça melhor a história.

Os estudos realizados nos anos 50
Tudo começou no início da década de 50, quando um estudo realizado na Universidade de Cambridge utilizou câmaras de titânio em orelhas de coelhos. Na altura, o objetivo era estudar o fluxo sanguíneo in vivo e, no final, o método foi bem-sucedido, não sendo rejeitado pelos organismos dos animais.
Em 1952, também interessado no estudo do fluxo sanguíneo e na microcirculação no tecido ósseo, o médico ortopedista Per-Ingvar Brånemark adaptou o procedimento utilizado com sucesso em Cambridge e aplicou-o no fémur de coelhos.
A descoberta da osteointegração
A investigação de Brånemark decorreu com normalidade, mas acabou por se revelar surpreendente pelo que se descobriu no final: a biocompatibilidade do titânio. Em 1952, após alguns meses de estudo, quando foi remover os aparelhos de titânio dos ossos dos coelhos, Per-Ingvar teve dificuldade em separá-los: o osso dos animais tinha-se unido ao metal.
Quando foi remover os aparelhos de titânio dos ossos dos coelhos, Per-Ingvar teve dificuldade em separá-los
Perante este cenário, o médico interessou-se pelo estudo das características do titânio e alargou a sua pesquisa a mais animais e até a seres humanos. Mais tarde, após um período de pesquisa aprofundada sobre o tema, Brånemark concluiu que este material tinha as características indicadas para ser utilizado em várias cirurgias (incluindo nas de implantes dentários) e atribuiu ao fenómeno de união entre osso e implante o nome de “osteointegração”.
O primeiro implante dentário com titânio
Inicialmente inclinado para centrar o seu estudo no joelho e na anca, o investigador acabou por decidir aplicar as suas descobertas à saúde oral. Em 1965, tendo em conta a quantidade de pessoas com problemas dentários que poderiam beneficiar das suas descobertas, Per-Ingvar Brånemark realizou o primeiro implante dentário feito de titânio.

Se, na altura, o seu tratamento já melhorou significativamente a qualidade de vida do seu voluntário (Gösta Larsson), atualmente, o método já foi aplicado a milhões de pessoas e é uma das ferramentas que mais nos ajuda a transformar as vidas dos nossos Pacientes.